Barroso Notícias  ver
 

 XXXIII CONGRESSO MEDICINA POPULAR - VILAR DE PERDIZES (30, 31 e 1 de setembro de 2019) -  19/8/2019

 32º Natal de Cantadores de Desafio e Concertinas -  6/1/2019

 Hábitos que o Padre Fontes não dispensa - YouTube -  15/2/2016

 Descobertos frescos na igreja de Soutelinho da raia -  10/4/2014

 32º natal de cantadores e concertinas -  11/12/2013

 
Destaques  ver
 

 

 SERÃO EM CHAVES

 A lenda Maria Mantela, foi representada pelo TEF em Chaves, dia 6 de dezembro.

 

 'SEXTA 13' / NOITE DAS BRUXAS

 Em Fevereiro inicia-se a primeira de três 'Sexta 13' agendadas para 2015. O maior espetáculo de rua realizado em Portuga

 

 VILAR DE PEERDIZES COM TURISMO RURAL

 Visite esta aldeia histórica.

 

 FONTES DA MIJARETA TURISMO RURAL ABRIU

 A VILA DE MONTALEGRE,ESTÁ A SER ENRIQUECIDA COM A ABERTURA AO PUBLICO E AO TURISMO COM UM DOS ESPACOS MAIS SEDUTORES QU

 

 ESPAÇO PADRE FONTES

 Inaugurado a 9 de Junho,o Núcleo-sede do Ecomuseu de Barroso "Espaço Padre Fontes" foi uma decisão da Câmara de Montal

 

 COMO CHEGAR AO HOTEL EM MOURILHE

 PROGRAME O GPS - 41º 50' 12.80'' N 7º 50' 37.75'' W PARA CHAVES, VILAR DE PERDIZES, MOURILHE.

 

 XXXII NATAL DE CONCERTINAS E CANTADORES AO DESAFIO

  programa

Barroso Notícia

CANCIONEIRO RAIANO - 8/7/2016


CANCIONEIRO RAIANO GALAICO

Por A. L. Fontes


A norte do Douro até ao Cantábrico situa-se esta terra amada que chamamos de Galecia terra única. Mas é sobretudo no Interior serrano nos vales do Cávado, Tâmega, Douro e Minho, que se fixaram tradições, folclore, religiosidade, vida comunitária que resisitiu com singularismo e identidade próprias, à pressão dos tempos, à permeabilização de estranhos hábitos e lazeres.

O cancioneiro é a amostra mais perfeita da identidade cultural, telúrica, e humana, rácica, histórica deste povo uno e único.

O paralelismo temático, semântico, cíclico, histórico, etnográfico é a afirmação cabal da unidade de povos, de motivações, de tendências, de destinos, de sentimentos, que a saudade e morrinha Rosalia e Teixeira de Pascoais retratam.Podemos comprovar se houver dúvidas.

O heroi destas montanhas e autor e actor deste passado estratificado e duradouro, podemos chamar-lhe galego, minhoto, transmontano, barrrosão.

Tinha razão o poeta João Verde em Monção:

A Galiza mailo Minh

COMO E ONDE NASCEU O CANCIONEIRO

Teófio Braga diz que foram as mulheres que guardarm no seu seio amoroso, com num relicário o lume sacro da poesia...Mas não só. Também os poetas populares os cantadores dos desafios, as regueifas galegas, das festas, dos serões, das ruadas, dos dias santos, feiras e romarias, contruiram espontaneamente ao ritmo do realeijo, da sanfona, do cavaquinho, ou da concertina, os versos rimados, os poemas do mundo rural, as alegrias e sofrimentos, os trabalhos colectivos, os escárnios e má língua. Também, quando algume morre e deixou saudade e pena, o poeta inventa os motes, meio cantados e chorados, que o livro da memória guarda e transmite.

A poesia popular é um armazém de sentenças, sentimentos, saberes, preocupações, cuidados, anseios, paixões, amores, vícios, valores, defeitos e qualidades do povo que as inspirou.

Como os ditos e provérbios, em frase mais frias e curtas, assim a quadra popular em harmonia rítmica, cantada no ermo da montanha, ou no bulício da roda, e da ronda é o retrato do íntimo e fundo anseio humano.

O Homem da raia, leitor nato da natureza, aprende a cantar na solidão do monte com os passarinhos, ou em grupo como as andorinhas. Imita-os na descontração, na arte, na harmonia, na alegria. Aprende com os animais a ser duro, teimoso, paciente, forte conforme com o ciclo normal da vida e das coisas. E são também a natureza, as plantas, as flores, os animais tema de inspiração, canto e de semelhanças com a vida humana.

Como um Adão neste verde paraíso nortenho, em constante equilíbrio e harmonia, o nosso raiano, agarrado ao seu torrão, é um lírico, idílico e heroico poeta do amor, à terra, à mãe, ao trabalho, aos seus santinhos curandeiros. Se de poeta e louco todos temos um pouco, aqui este dito acerta em cheio.

DIFERENÇAS RAIANAS

Quando leio, ouço o cantar dum lado e doutro da raia, e tenho esse privilégio desde Tourém a Randin, desde V.Perdizes a Videferre de ouvir cantar o galo em dois reinos, estou em sintonia com a mesma identidade cultural, rácica, etnográfica. As palavras, fora o sotaque, são as mesmas; as rimas, a métrica, os temas em nada diferem. O autor também será o mesmo, igual ambiente criador o proporcionou.

Ao som da gaita, ou da sanfona tanto faz, a melodia alegre, umas vezes, triste outras,

encaixa na alma tanto do rural, como do urbano como em terreno próprio.

Muitas vezes apetecia-me fazer um cancioneiro da raia, colhendo num lado e noutro. Creio que já está feito por todos os investigadores destes temas. Mas dos que tenho consultado e ouvido, quase posso afirmar que os dois cancioneiros fazem um, porque o Espírito é o mesmo, como em Deus uno e trino.

Penso que a promiscuidade da raia causou esta irmandade.

Peregrinos de Compostela, mendigos, pedintes da casa ardida, artesãos sem fronteiras, contrabandistas e romeiros das festas importaram com fidelidade e adaptaram ao idioma local as modas novas, que neste pregrinar lhe assentavam e falavam no fundo da alma.

 

«-voltar