QUEM SOU, COMO SOU, PORQUE SOU
Ninguém é igual a ninguém.
Na minha vida de cidadão e de padre sempre procurei aprender a ser igual a mim mesmo, abrindo-me à luz, venha ela donde vier, de dentro e de fora da igreja.
Com o decorrer de anos e da minha acção interventiva o povo estimulou-me, cada dia mais, marcando-me o rumo a seguir no bem da cultura regional.
O 1º Congresso de medicina popular nasce da necessidade de registar, dar a conhecer, usar a medicina caseira, tradicional ainda muito válida apesar da chegada em 1975 do serviço nacional de Saúde ao País e às minhas paróquias.
Revelou-se Vilar de Perdizes e o seus congressos desde 1983 até hoje, como ponto de encontro de culturas, credos, medicinas, religiões, saberes, uma feira original popular e erudita, um espaço para questionar métodos e crenças, novidades e antiguidades, uma ocasião para conhecer o país real, profundo, oculto, esquecido, marginalizado.
Travar a desertificação, incentivar actos culturais, inverter o fluxo turístico, promover a região Transmontana e a sua cultura, paisagem, gastronomia, dar às escolas um pretexto de investigação, à imprensa uma mão cheia de valores e novidades, fazer sair o povo à rua, ao teatro da saúde, à procura de melhor, eis alguns dos motivos que puxam pela carroça deste Congresso MP há 22 anos e o impuseram ao país e lhe tem dado pernas para andar.
A junção do sagrado e do profano protagonizado por um padre deu mais valia e chamariz ao Congresso.
Foi como que a arte de sacralizar o profano, e profanar o sagrado Avivar a cultura morta – a medicina popular e por no devido lugar a que surgia , dita científica, orgulhosa que não queria a sobrevivência da mãe a medicina Natural.
Daí alguma incompreensão e receio tanto da hierarquia católica como da classe médica.
Com o tempo tudo se foi diluindo e aproximando.
As SEITAS que vão surgindo ,nascem da necessidade do sagrado, que a igreja católica por vezes restringe, fecha, dificulta e não dá, nem vende.
Nascem também da carência duma religiosidade mais palpável, sensível, menos espiritualista, mais virada para os problemas humanos e menos para os ritos dominicais monocórdicos.
As VISÕES onde muitos fenómenos assentam, não passam de alucinações, mais ou menos infantis, associados a um fanatismo religioso e desconhecimento da religião e da psicologia humana, que geram um movimento inconsciente de massas e que pode arrastar a tolerância ou incapacidade de intervenção das autoridades religiosas e outras.
Nascido do povo, uso a linguagem mais acessível e falada do povo para o fazer chegar ao divino e sentir o sagrado da fé num Deus mais humano que divino, mais activo dentro de cada pessoa que nas igrejas e santuários.
Tenho duas paixões grandes: a terra que me viu nascer e dá sentido à vida : Eu e o Barroso somos um só. Deus que me dá tempo e prazer de estar sempre de porta aberta a quem veja e espere de mim algo.
Daí o apreço pela cultura Barrosã, estimulada e vivida, virada para quem nos visita.
Criei um espaço de turismo rural em Mourilhe, onde ninguém passava, ninguém apostava, para acolher quem quer descobrir este paraíso terreal, distante e desconhecido,
hoje mais visitado pelos do Norte que do Sul, pelos nacionais que pelos estrangeiros.
Aqui encontra o turista um reino maravilhoso, de altitude, onde impera a água, a verdura variada das 4 estações do ano, o silêncio da natureza e das aldeias de dia e de noite, a paisagem e ar e céu limpo, leve. carregado de belas estrelas celestes e terrenas.
É uma gente acolhedora de coração e porta aberta. As manadas de vacas passam à porta do hotel rural, mansas, lentas, meigas, carinhosas. Um jardineiro para cada lameiro, regado por linhas cristalinas de água corrente todo o ano. Acresce a tudo isto, se fora pouco, no dia a dia da casa e do hotel uma gastronomia biológica, de sabores ímpares, e muito mais.
Venha ver para crer