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Agradeço a todos os barrosões esta homenagem, votada em unanimidade pela Câmara M de Montalegre e sua assembleia, ao criarem um meu grande sonho o eco museu de Barroso, com o nome espaço Padre Fontes.
Ao personalizá-lo com um nome, quero devolve-lo a todos os barrosões que toda a minha vida personifiquei, por todos os meios e me identifiquei ao mais profundo e sentido pormenor.
Nascido e criado por cá fui bebendo e alimentando, e assumindo, encarnando a forma de ser, falar, viver e estar Barrosã.
Depois de sentir que temos uma identidade própria, ancestral, comum aos barrosões, agarrei-a, com toda alma e força e senti necessidade urgente de a preservar, e divulgar usando os meios ao alcance.
Primeiro escrevi-a desde criança, em férias e no Seminário de Vila Real. Padre em Tourém, Pitões e Covelães, registei tudo o que pude das entranhas do povo, e das terras.
Comecei a usar os jornais, nacionais e regionais, depois passei aos livros:
Usos e costumes de Barroso, com Bº da Fonte, em 74 em 2 volumes que chamei Etnografia Transmonta, que Viale Moutinho baptizou de Bíblia dos Barrosões.
Para chegar rápido e mais longe com a chama barrosã cada mês, editei desde 80 o jornal Notícias de BARROSO durante 25 anos, sem outra ilusão a não ser a de como Camões, cantar o peito ilustre lusitano, neste poema heróico, que fui assinalando por toda parte, com todo o engenho e arte. Diria que não há escola, associação, universidade no país onde eu não fosse com uma caixinha mágica de slides, chamando a Barroso.
Chamei, informei, acompanhei a Barroso, jornalistas nacionais e estrangeiros: Itália, Noruega, Suécia, Holanda, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, USA, Brasil.
Com eles vieram os fotógrafos franceses, cineastas de vários países e os inúmeros canais de televisão mundial. Mostraram que Barroso é o tal reino Maravilhoso, remoto, desconhecido, mas puro, original, sedutor, que Torga e nós teimávamos em revelar, contra ventos e marés.
Por arrastamento sequente vieram os portugueses descobrir e mostrar que era verdade o que eu gritava: vinde ver um mundo a acabar, que se vai também agora revelar no documentário esta semana concluído pelo cineasta João Botelho, com o título- para que este mundo não acabe.
Posto Barroso no mapa, com toda a magia que esta nossa terra e gentes preservam, prevejo um futuro risonho, feliz, sereno, de qualidade para o nosso querido Barroso, a quem dedicamos em boa hora este espaço ecomuseu com todos os seus pólos criados e a criar.
Devolvo a homenagem que hoje me prestam a todos os barrosões do passado que nos legaram e aos barrosões do presente e do futuro a quem legamos Barroso vivo.
Muito grato a todos.
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